A vida após a COVID-19 no setor imobiliário

As previsões mostram que o setor estará "vivo" e continuará a ser "atrativo" para os investidores
Foto de Breno Assis on Unsplash
Foto de Breno Assis on Unsplash

Os encontros virtuais entre profissionais do setor imobiliário têm sido a ordem do dia durante o período de confinamento pelo coronavírus. Nestas reuniões via Zoom ou Skype, entre outras plataformas, tem havido, naturalmente, muita conversa sobre o que vai acontecer ao negócio imobiliário no dia em que este voltar ao normal. Uma reunião deste tipo teve lugar, recentemente, nas mãos do Círculo Equestre de Barcelona e dela se retiraram conclusões que dão lugar à esperança no setor: O setor imobiliário espanhol ainda está muito vivo e continua a ser atrativo para os investidores.

Após meses de recuperação, tudo aponta para o fato de que a crise do coronavírus tenha um impacto significativo no setor imobiliário. Mas o que é que vai acontecer depois da pandemia? Anna Gener, CEO da Savills Aguirre Newman em Barcelona, Juan-Galo Macià, CEO da Engel&Völkers em Espanha e Oriol Barrachina, director-geral da Cushman&Wakefield em Espanha, analisaram o possível impacto do coronavírus num dos principais setores de atividade da economia espanhola.

"A mudança social que vivemos como resultado da pandemia terá um impacto na forma como encaramos o imobiliário, no tipo de contratos que serão realizados e no encerramento das operações. Estamos a viver uma situação de parênteses, mas aqueles que quiseram investir em Espanha, continuarão a querer fazê-lo quando tudo acabar", explica Gener. De acordo com a diretiva, a incerteza e os descontos vão tomar conta das negociações nos próximos meses.

"Estamos numa situação completamente diferente da da crise anterior. Hoje em dia, os proprietários de Barcelona e Madrid estão numa situação de ausência de dívidas ou de endividamento suportável, de grande profissionalização e de um setor muito mais robusto", diz Gener, que acrescenta que "a recuperação vai acontecer com alguma rapidez".

"Devemos também ter em conta, especialmente no sector dos escritórios, que uma coisa que joga a favor da estabilização do mercado é o equilíbrio entre a oferta e a procura. Em Barcelona, constatamos que não há excesso de oferta (como na crise anterior), mas sim o contrário, que há tensão e mais procura do que oferta. E o mesmo se aplica à logística. Esta situação é favorável", diz a directiva.

Por seu lado, Oriol Barrachina, da Cushman&Wakefield, garante-nos que "com a perspetiva que nos foi dada nestas semanas, estamos ainda no momento da análise. Estamos a perguntar a muitos dos nossos clientes e investidores sobre o estado das suas operações e da sua tomada de decisões. Agora, é tempo de analisar e aprender como as coisas estão a mudar para se adaptarem".

O gestor da Cushman&Wakefield, contudo, sublinha que "muitos dos problemas que agora enfrentamos já estavam a acontecer. As taxas de penetração do comércio electrónico foram baixas em comparação com outros países. Isto irá aumentar a participação do comércio eletrónico. O mesmo acontecerá com o teletrabalho. Já estávamos a incorporar elementos do teletrabalho...", diz Barrachina.

O gestor acrescenta que "depois da COVID-19, num mundo mais omnicanal em termos de comércio e mais flexível em termos de escritórios, mas nem tudo será comércio eletrónico ou teletrabalho".

Joan Galo Macià, da Engel&Völkers, concorda que a imobiliária "enfrenta uma fase totalmente diferente da anterior", e explica que "na zona residencial também haverá um antes e um depois. É incrível o quanto um setor pode mudar em apenas 50 dias".

"Para alguém que vai comprar uma casa, mas não apenas no clima actual, tem de ter sempre planos optimistas a médio prazo, tanto no seu ambiente de trabalho como na economia, e isto é algo que temos dificuldade em ver agora. Há um enorme atraso na procura e estamos a perder tempo a tentar redireccioná-la. Não estamos a mentir se classificarmos estes dois meses como os mais convulsivos do setor imobiliário nos últimos anos", acrescenta.