O mercado prevê que 2023 será um ano cheio de incertezas e que o setor imobiliário sofrerá os efeitos da inflação, da subida dos juros, da desaceleração económica e da crise energética. Segundo as projeções, os próximos meses serão de desaceleração nas transações e reajuste nos valores dos imóveis, embora esse cenário também proporcione novas oportunidades de investimentos, principalmente nas grandes cidades. Vamos descobrir o que tudo isto significa à escala europeia e saber como Madrid é hoje a quarta cidade mais atrativa da Europa para investimentos imobiliários.
No caso da Europa, segundo o relatório 'Tendências do mercado imobiliário' elaborado pela consultora PwC e Urban Land Institute (ULI), com base num inquérito a mais de 1.000 agentes do setor (desde bancos a imobiliárias empresas e fundos de investimento), o capital internacional vai se concentrar nos mercados mais líquidos e maduros.
“Os investidores não estão a apostar e buscam mercados estáveis, assim como buscam os ativos mais resilientes”, diz Antonio Sánchez Recio, sócio responsável pelo cluster de Construção, Imobiliário e Serviços da PwC.
Prova disso é que, na edição de 2023, Londres lidera o ranking das cidades europeias mais atrativas para investir em imobiliário, seguida de Paris e Berlim. O Madrid surpreende e ocupa a quarta posição, depois de subir dois lugares face ao ranking do ano passado, enquanto o Barcelona repete a nona posição. Em ambos os casos, subiram quatro posições nos últimos dois anos. O top 10 de 2023 também inclui Munique, Amsterdão, Frankfurt, Hamburgo e Milão.
Richard Garey, sócio encarregado de Deals da PwC Real Estate, diz que Londres continua no topo da lista europeia porque a capital britânica “está mais longe do impacto da guerra na Ucrânia”, considerada o principal risco social e político atual para grandes investidores internacionais, e porque é "o maior mercado imobiliário europeu".
No caso de Paris, que subiu uma posição em relação ao ranking de 2022, Garey destaca que a capital francesa está a tornar-se muito atrativo devido à celebração dos Jogos Olímpicos de 2024 e aos investimentos que está a atrair. Quanto a Berlim, destacou que beneficia do facto da Alemanha ser considerada o país mais seguro da Europa e de ser uma cidade pouco prejudicada pelo impacto do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
No caso de Madrid e Barcelona, Garey sustenta que “os inquiridos destacam que têm muito crescimento urbano, a falta de oferta face à elevada procura em mercados como o residencial, a qualidade dos ativos logísticos e de escritórios, ou a peso e projeção das energias renováveis”, numa altura em que as infraestruturas energéticas se tornaram o ativo imobiliário mais atrativo para investimento, impulsionado pela atual crise de preços.