Artigo criado por Mónica Sentieri
A nova tendência built-to-rent (construir para arrendar) em Espanha reflete a tendência atual do mercado imobiliário espanhol, que consiste em construir com o objetivo de arrendar, em vez de vender. Mónica Sentieri, diretora da proptech ElWorking, analisa as razões pelas quais este tipo de produto imobiliário tem mais sentido do que nunca e porque pode ser interessante para investidores estrangeiros, que procuram comprar propriedades em Espanha como um investimento seguro.
Esta nova realidade está longe do que era comum em Espanha, um paísonde as novas construções se destinavam quase sempre à venda, principalmente durante o último apogeu,na primeira parte da década dos anos 2000. Vejamos quais são as razões que fazem com que, hoje em dia, uma parte significativa do produto imobiliário em Espanha esteja orientada ao arrendamento:
1. Novas gerações que preferem arrendar em vez de comprar
Atualmente, o público-alvo que procura uma primeira habitação tem outra forma de pensar e compreender a vida. As razões económicas para o difícil acesso ao financiamento são o primeiro obstáculo encontrado e fazem com que muitos abandonem o projeto de compra de uma casa. No entanto, existem outros fatores sociais, como a necessidade de liberdade ou a disponibilidade de mobilidade geográfica, que favorecem a opção do arrendamento, em detrimento da compra.
A sociedade espanhola mudou. Atualmente, quando os jovens terminam os seus estudos, já não planificam a sua vida em torno ao casamento e à compra de uma casa. Têm antes uma grande expetativa de um longo caminho pela frente, muitas vezes adverso aos compromissos implícitos num crédito habitação a longo prazo.
2. Aumento dos preços de arrendamento nos últimos anos
Quando a procura aumenta e a oferta permanece estável, os aumentos de preços são a consequência direta desta distorção em qualquer mercado de bens ou serviços. Durante os últimos dez anos, a nova construção de habitação foi quase inexistente em Espanha, tanto para venda como para arrendamento, porque a crise representou um enorme travão aos desenvolvimentos imobiliários e urbanos.
O aumento dos preços de arrendamento está concentrado nas principais cidades de Espanha, com Madrid e Barcelona que, atualmente, têm a maior escassez de produto. Na verdade, as pessoas querem viver nas cidades, mas existe uma clara deficiência de produto nestes meios.
3. Medidas fiscais que favorecem o produto destinado ao arrendamento
Nos últimos anos, a Hacienda espanhola adotou várias medidas fiscais para incentivar o arrendamento. Por um lado, encontramos reduções de 85% sobre a taxa de imposto para as empresas que têm mais de 8 casas para arrendar. Por outro lado, existe também um regime fiscal especial, muito atrativo para as empresas dedicadas ao arrendamento de imóveis urbanos, conhecido como SOCIMI, cuja taxa de imposto é de 0%, com tributação única na sede do accionista quando os dividendos são distribuídos.
Em geral, se existe uma maior procura de um produto, os preços aumentam e existe um regime fiscal favorável, o que se traduz, imediatamente, num maior rendimento potencial do investimento. Esta nova tendência de build-to-rent em Espanha tornou-se mais aliciante devido a desenvolvimentos recentes, mesmo para os proprietários privados estrangeiros que procuram oportunidades de investimento em Espanha.
Espanha tem, historicamente, um mercado de arrendamento pobre, muito atomizado e pouco profissional, tanto na habitação como noutros setores terciários. Esta nova tendência de investimento, que é apoiada pelas razões acima descritas, pode ser um ponto de inflexão para melhorar este cenário. Poderá criar um setor de arrendamento organizado, com volume e profissional que, sem dúvida, vai ajudar a responder às necessidades atuais e futuras da sociedade espanhola e que também levará a uma melhoria do produto e dos serviços utilizados para arrendar.
Mónica é a directora da proptech www.elworking.com, um portal de pesquisa de Espaços de Trabalho. Licenciada em Economia e com um mestrado do IE, desenvolveu a sua carreira profissional em empresas como PwC, Broseta Abogados ou CBRE.