Novas tendências provocadas pelo coronavírus no mercado imobiliário que vieram para ficar

Gtres
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14 maio 2020, Redação

A inesperada crise causada pela pandemia da COVID-19 em Espanha e em todo o mundo travou a recuperação imobiliária que começou em 2014. Nos próximos trimestres, o mercado imobiliário enfrentará uma queda nas vendas, na assinatura de créditos habitação, nos preços e nas operações de investimento. E, se as previsões estiverem corretas, o setor residencial só poderá recuperar totalmente em 2022.

Dentro deste labirinto de mudanças, os especialistas do mercado acreditam que veremos novas tendências no setor imobiliário, tendências que se reflectirão não só no primeiro dia após a COVID-19, mas também mudanças que estarão aqui para ficar. Entre elas está a necessária presença comercial generalizada de imóveis, as novas necessidades e preferências das famílias na procura de uma nova casa, o compromisso de visitas online e visitas virtuais ou a importância dos profissionais optarem pela formação contínua para prestarem o melhor serviço possível aos clientes.

De acordo com as reflexões que o mundo imobiliário suscitou num recente evento online, "#InmocionateEnCasa" promovido pela União de Créditos Imobiliários (UCI) e a sua área de desenvolvimento profissional para corretores SIRA (Spanish International Realty Alliance), estas são as tendências mais importantes que se tornarão realidade no mercado após o "choque" da pandemia:

A tecnologia é uma necessidade, não uma opção

Uma das lições mais óbvias aprendidas durante a crise é a necessidade de investir em tecnologia. O coronavírus impulsionou a transformação digital que o setor tem vindo a falar há anos, mas que muitas empresas imobiliárias ainda não puseram em marcha.

Segundo o estudo do SIRA, a maioria dos participantes afirma ter realizado videoconferências com os seus clientes e equipas através de múltiplas plataformas, ter utilizado redes sociais para divulgar imóveis, ter feito comunicações comerciais através de aplicações como WhatsApp e ter conseguido formalizar muitas das operações já em curso, a partir de casa e graças a estas ferramentas. Graças a isso, os agentes imobiliários têm um novo entendimento de que temos de cuidar, mais do que nunca, de todos os canais, incluindo os digitais.

O boom das visitas online

Nos próximos meses, será essencial implementar múltiplas medidas de segurança para proteger a saúde tanto dos clientes como dos empregados, à medida que as agências imobiliárias reabrem e retomam as visitas. Muitas empresas estão a promover protocolos de ação para incentivar o teletrabalho, reorganizando os interiores dos seus escritórios para aumentar a distância entre os postos de trabalho ou adquirindo material de proteção, como luvas, batas ou máscaras.

Neste cenário, as visitas físicas aos imóveis terão de ser restringidas aos casos mais essenciais (por exemplo, com os compradores já fortemente filtrados pela agência imobiliária ou com aqueles cujo estudo financeiro tenha sido favorável). Por conseguinte, será necessário oferecer aos clientes a possibilidade de realizar visitas virtuais ou online aos imóveis.

Uma presença comercial completa no setor imobiliário

O SIRA defende que a figura do "vendedor que mostra um imóvel aos compradores, aqueles profissionais que, de acordo com o setor, contribuem com pouco valor, terão muito pouco futuro". As empresas imobiliárias devem combinar o ambiente físico (a agência a nível de local físico) com os múltiplos canais digitais existentes: uma página web adequada, SEO perfeitamente aplicado, uma presença adequada nas redes sociais, um blog atraente e uma política de gestão de conteúdos atrativa. Quatro em cada cinco clientes passam por um canal online, mas decidem sair de casa para visitar imóveis e ir à agência. Portanto, a combinação de ambas as estratégias é fundamental para oferecer um excelente serviço aos clientes", diz Francis Fernandez, CEO do SIRA e moderador da maioria das mesas redondas nas reuniões virtuais.

Formação atualizada para profissionais

A necessidade de formação contínua e permanentemente atualizada, como acontece na National Association of Realtors (NAR), a associação norte-americana na qual a SIRA está integrada, tem sido um dos aspetos mais valorizados pelos participantes dos encontros virtuais. Sendo um setor em constante mudança, é necessário que os profissionais estejam actualizados.

Novas necessidades e preferências em matéria de habitação

Outra das tendências mais óbvias consiste no fato de que o estado de alarme e o período de confinamento levou muitos espanhóis a repensar o tipo de habitação na qual querem viver. Após estas semanas de confinamento, muitas pessoas descobriram que as suas casas não têm o que a sua família necessita. Questões como a luz natural, espaços mais amplos, melhores vistas e paisagismo são agora a prioridade

"Muitos compradores, até agora interessados em viver no centro das cidades, estão a repensar esta questão e a mudar a sua procura para que contemple casas em localidades mais pequenas ou na periferia, também encorajados pelos preços mais baixos e pela possibilidade de continuarem a trabalhar remotamente nas suas empresas", dizem do SIRA.

De fato, existem estudos que sugerem que as casas localizadas em cidades próximas às grandes cidades, que estão em locais "nobres", e aquelas com boas vistas, um jardim ou terraço são os tipos de casas que melhor suportarão a crise e poderão mesmo ser reavaliadas com um aumento previsível da procura.

Mais arrendamento tradicional do que turístico

O abrandamento da chegada dos turistas e a incerteza quanto à duração desta situação está a obrigar os proprietários e investidores a procurar fórmulas para atenuar os efeitos desta crise. "É verdade que, desde 2018, muitos destes proprietários já estavam a considerar reorientar a utilização das suas casas a arrendamentos a longo prazo, menos penalizados fiscalmente e muito mais simples e baratos de gerir, mas esta situação precipitou completamente esta tendência", diz o estudo.

Por exemplo, muitos proprietários de alojamentos turísticos desembarcaram em arrendamentos de curto prazo como medida de "sobrevivência" para cobrir os custos das hipotecas e os custos do apartamento. Oferecem contratos ao abrigo da lei de seis meses a um ano, em zonas de muito boa localização e com preços muito competitivos para seduzir os trabalhadores estrangeiros que vivem em Espanha e os estudantes.

Os investidores estão atentos

A esperada queda generalizada dos preços irá coexistir com uma procura excessiva das casas mais atrativas. De fato, a Toni Expósito, directora-geral da Comprarcasa, acredita que "o bom produto, se estiver a um preço adequado, é procurado e não demorará muito tempo a vender, pois já há muitos investidores e economistas a analisar o mercado", tendo em conta a instabilidade dos mercados bolsistas e a baixa rentabilidade atualmente oferecida por produtos financeiros como as obrigações ou depósitos.

Expósito espera que, com a abertura do mercado haja ofertas, principalmente de pessoas que necessitam de liquidez ou de heranças e de oferta acumulada. No entanto, exclui a possibilidade de surgirem "grandes negócios como os dos piores anos da crise passada".

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