Verifica estes aspetos antes de comprar casa / Pixabay
A maioria das agências imobiliárias e outros intermediários do setor são profissionais sérios mas, no mercado imobiliário também podemos encontrar práticas que acabam por prejudicar o comprador.
A compra de uma casa é o investimento mais importante de uma pessoa e, é por isso que devemos prestar muita atenção a todos os detalhes, incluindo os mais pequenos. Hoje falamos-te de todas as questões que deverias ter baixo controlo antes de dar o “sim, quero” à tua futura casa. Toma nota.
- A superfície: “Muitas das superfícies construídas indicadas nos anúncios são falsas. Em alguns casos, são incluídos os m2 de espaços comunitários. Noutros casos é indicada a superfície construída, estabelecendo que é um 30% mais da útil, o que também é incorreto. A superfície é muito importante porque atualmente, 6 ou 7 metros a mais ou a menos, podem modificar o preço substancialmente. A agência deveria ser o mais precisa possível, medindo de forma rigorosa a casa, a fim de indicar a superfície construída real. É verdade que, em alguns caso, não é possível determinar esta medida e, só nestes casos, se deve estimar uma percentagem. Nunca se devem contabilizar os metros quadrados de terraços e/ou varandas e devem indicar se se trata de superfície construída ou útil. Se tem arrecadação externa, devem separar-se os metros correspondentes, porque o preço por metro quadrado de uma arrecadação não é o mesmo que o de uma casa”, indica Pablo Garcia de Atrezo Arquitectos.
- Documentação: para vender um apartamento são necessários vários papéis e documentos. “Devemos ter informação sobre a nota simple do Registo de Propiedade, a ITE (Inspección Técnica de Edificios) e das possíveis dívidas que possa ter o imóvel. O papel da agência é limitar-se a mostrar a casa, mas também dar toda esta informação. São especialistas no imóvel que estão a vender, principalmente se se trata de uma venda exclusiva.
- As plantas: “Vi planos muito pouco rigorosos, que eram simples croquis com alguma medida. A solução que muitos utilizam é mobilar estas plantas com móveis em escala menor. Desta forma podemos ver que tudo encaixa perfeitamente se está representada, por exemplo, uma cama de 70cm x 180cm. Se nos facilitam uma planta, esta deve incluir as superfícies úteis de cada divisão. Pode estar mobilado mas, com medidas de mobiliário standard e reais. A planta deve estar assinada pela empresa e deve refletir a realidade”, acrescenta.
- Descrição dos materiais e acabamentos do imóvel: parquet e mosaico não são a mesma coisa e o mesmo se aplica a janelas com isolamento térmico ou sem isolamento térmico. “As diferenças de preço são notórias pelo que não deveríamos descrever o imóvel de forma leviana, nem falar de acabamentos que não tem ou que têm menor qualidade. Se são acabamentos que acrescentam valor, estes também devem ser indicados com cuidado. As instalações, tais como a tubagem, o aquecimento, a instalação elétrica, são também fundamentais. Desde o ano de construção, indicado no registo, devemos conhecer todas as reformas realizadas para entender qual é o estado e a antiguidade da casa”.
- Modificações na distribuição: “Tive a ideia de perguntar a quem me mostrava a casa, durante a visita, como poderia fazer a distribuição. As casas não se distribuem como se fossem casas de bonecas, já que existem instalações de tubagens e esgotos, condutas de saída de fumo e, principalmente, estruturas e muros no seu interior, das quais não nos podemos esquecer. Se queremos conhecer todas as possibilidades de um imóvel quanto à sua distribuição, devemos falar com um técnico. Outro clássico é que te falem da opção de fechar o terraço ou a varanda. “O fato de que outras casas os fechem não significa que o possamos fazer. É um tema mais delicado do que parece”, comenta o arquiteto.
- Ordenação e legalidade urbanística: é necessário ter informação sobre a legalidade urbanística dos imóveis e se têm zonas construídas com infrações prescritas ou fora de ordenação. “Devemos saber que não nos avaliam da mesma forma se está fora de ordenação ou se existem infrações prescritas, que não se possam legalizar no futuro. Outra questão são as casas abaixo do nível do solo, já que nestes imóveis suspeitos o ideal é ter, desde o início, uma licença de habitabilidade que nos garanta a sua legalidade e a possibilidade de ser utilizada como habitação, mesmo estando a esse nível. De qualquer maneira, são casos excecionais”, comenta.
- O preço: “O preço médio de uma zona deve determinar-se pelo preço com o qual se fecharam as operações e este dado fica registado nas escrituras e no registo. Estes são os valores que devemos ter em conta. Não é correto falar dos valores que pedem os vizinhos da zona”.
- O IVA das comissões das agências: “Ao estabelecer a comissão devem indicar se se inclui o não o IVA, já que pode dar lugar a confusões e podemos pensar que a comissão é de 3%, sem acrescentar o 21% que também devemos pagar”, finaliza.
Tudo o que mencionámos pode parecer difícil e pode gerar preguiça por parte do comprador/consumidor mas, é conveniente entender estes aspetos se queres comprar casa. Pensa que assim evitarás surpresas desagradáveis no futuro!