A compra de casas por parte de estrangeiros disparou nos últimos anos e o negócio promotor focalizado nestes clientes recuperou-se da crise, muito antes que o resto do setor. A Costa do Sol, Baleares e Canárias são os seus destinos favoritos, onde procuram casas de luxo, golf e, sobretudo, vista ao mar. Pedro Losada, diretor técnico de Planificalia, revelou-nos como são as casas que procuram os estrangeiros, e que não baixam dos 800.000 euros.
Segundo os últimos dados publicados pelos notários, os estrangeiros superaram por primeira vez as 50.000 transações até meados de 2017, com uma subida de 13,4% interanual. Uma recuperação do investimento em imóveis por parte de estrangeiros, que já existe desde 2014.
As operações por parte de estrangeiros concentram-se no litoral mediterrâneo e nos dois arquipélagos. O peso da compra de casas por este tipo de comprador foi maior nas Canárias (42,3%), Baleares (37,7%), Comunidade Valenciana (35,5%), Murcia (26,9%) e Andaluzia (19,4%), entre janeiro e junho do ano passado.
“O mercado de segunda habitação de alto nível e dedicado ao mercado estrangeiro vive agora uma época de auge importante, depois de passar o pior da crise”, afirma Pedro Losada, diretor técnico da promotora Planificalia, especializados em projetos de casas pensadas para estrangeiros, com preços a partir dos 800.000 euros até um milhão de euros.
A Costa do Sol mantém-se, ano após ano, como um dos destinos favoritos para muitos estrangeiros com um perfil alto, que procuram uma segunda habitação de luxo. “O estrangeiro tipo, que procura casa na Costa do Sol, normalmente é nórdico ou britânico, que opta primeiro por comprar uma casa para passar férias e que, muitas vezes, acaba por viver aí depois de reformar-se”, explica Pedro.
Mas, como são as casas que procuram estes compradores? Apesar do que muitos podem pensar, o tipo de casas que um estrangeiro procura na costa difere muito da casa tipo que procura um comprador nacional, com maior enfoque na primeira linha de praia.
Para o comprador estrangeiro de alto “standing” a sua casa favorita tem de ter vistas ao mar, isso é o fundamental. Não lhe importa a distância à praia, já que passará a maior parte do tempo jogando golf ou na piscina.
“Quando estudamos a viabilidade do solo, preferimos renunciar à construção de uma das casas se não tem vistas, mesmo tendo terreno disponível”, acrescenta o diretivo de Planificalia.
Um dos últimos empreendimentos construído pela companhia é “La Cala Views” em Mijas, na Costa do Sol de Málaga. Um complexo que conta com 16 casas unifamiliares independentes, com piscina de horizonte infinito e, como não podia deixar de ser, excelentes vistas ao mar.
“Além das vistas, as cozinhas estão integradas na sala e conectadas a uma varanda exterior. São entregues totalmente equipadas e temos prevista a sua finalização em abril de 2018, entregando as primeiras casas durante o próximo verão”, explica.
Para comprar estas villas, com preços a partir dos 800.000 euros, a maioria de investidores não requer financiamento e, os que o necessitam vêm da mão do seu banco, no seu país de origem.
“O negócio com foco nos estrangeiros recorre toda a Costa do Sol. Agora satisfazemos uma demanda latente que estava insatisfeita e pelo menos, de momento, pensamos que não se está a formar uma segunda borbulha, como aconteceu antes da crise”, destaca Pedro Losada.
Apesar de que existe muito stock de casas sem vender pela costa, muitas destas casas novas que se terminaram e não se venderam, ou que ficaram a meio da construção, estão fora de moda.
“O perfil de comprador estrangeiro, que quer comprar casas de luxo em Espanha, procura nova construção porque os produtos mudaram em relação ao que se oferecia em pleno boom imobiliário. Os designs mudaram e os materiais são melhores, quanto ao acabado, isolamento ou eficiência energética. Os tipos de villas que se oferecem atualmente não existiam há 10 anos atrás”, conclui o diretor técnico de Planificalia.